A casa de campo projetada pelo arquiteto português Pedro Reis, em Melides, no sul da costa alentejana, realiza com perfeição o desejo do cliente: um refúgio para o tumulto da cidade grande.

Para ter opções de escolha entre diferentes soluções, o cliente realizou um pequeno concurso de arquitetura com 3 escritórios.

O projeto vencedor representa a dramaticidade natural do campo, implantado no topo de uma colina íngreme, relativamente protegida pela topografia irregular das redondezas.

O partido arquitetônico demonstra intenção de marcar o terreno, causando uma forte impressão geométrica por meio de dois volumes sobrepostos em forma de cruz. A mira dessa estratégia dialética não é apenas reduzir a escala e a presença da construção, mas também dividir o programa em duas áreas, uma mais exuberante e exposta e outra mais íntima e contida.

Enquanto o luminoso volume superior recupera a imagem sintética da casa moderna, com grandes aberturas em vidro para o campo, o volume inferior, revestido com lâminas de concreto na cor da terra – pré-fabricados em loco – fica ancorado no chão, dando suporte e estabilidade à casa.

Em termos da organização programática, o volume suspenso concentra os espaços principais, definindo a unidade mínima de habitação, enquanto o volume inferior atua como uma zona de expansão, recebendo as áreas mais íntimas ou de serviço, permitindo uma ocupação maior. No centro da casa, a cozinha tem suma importância, agindo como ponto de intersecção para todos os percursos: entrar, cruzar o interior em direção ao jardim.

Na área externa, um grande pergolado promove sombra e um tanque d’água disposto embaixo do quarto principal da casa, reflete os pinheiros. A experiência dessa casa visa concentrar o essencial, permitindo estar dentro e fora, buscando um estilo de vida agradável, contemplador e duradouro, um proveitoso senso de presença, fechado às amenidades da vida urbana”.

Clara referência à arquitetura modernista, a casa segue as premissas básicas do movimento arquitetônico mais marcante do séc. XX: menos é mais (Mies Van der Rohe) e a forma segue a função (Louis Sullivan).

 

Fotos: FG + SG – Fernando Guerra e Sergio Guerra

FONTE: http://blog.arkpad.com.br/

Wonder Houses: Um refúgio para o tumulto da cidade grande.
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